O texto de hoje, é uma homenagem para meu pai <3

O que é a saudade? “É quando a lembrança faz cosquinha no coração” respondeu a minha filha de sete anos. Ela disse que ouviu esta frase em um episódio de uma das inúmeras novelinhas infantis que assiste. Não sei quem escreveu algo tão brilhante, mas com certeza, esta definição deveria entrar para o dicionário. Achei perfeita. Só sentimos saudade do que foi bom. Seja pessoas, lugares ou momentos. Quando sentimos saudade, somos transportados pela lembrança para algo que nos marcou positivamente. Mas a saudade também pode doer...E quando dói, dói pra caramba. Ela pode ser como uma dorzinha fina, que perpassa o coração e encontra muitas vezes o caminho de saída pelos olhos. Em forma de lágrimas. Mas, no geral, a saudade acalma a alma. Ela é a prova que vivemos ou convivemos com algo ou alguém que nos marcou positivamente. Sinto saudade de tanta coisa: Da sensação de ter um bebê mexendo dentro de mim. Da emoção de olhar para meus filhos na hora da amamentação. De todos os momentos, que no meio do nada, meu marido dispara um “eu te amo”. Daquela viagem inesquecível. Dos sorrisos e piadas que compartilhamos entre família. Sinto uma saudade brutal do meu pai. Sinto saudade de dar aulas. Sinto saudade de muitos alunos que passaram pela minha vida. Sinto saudade de muitos momentos que vivi nas Universidades por onde passei. Sinto saudade de não ter pressa pra nada. Sinto saudade da leveza que o tempo me roubou. Sinto saudade de me sentir dona do meu tempo. Sinto saudade de muita coisa, mas, por exemplo, não sinto saudade de ser jovem. Não sinto saudade do corpo que tinha na adolescência. Não sinto saudade dos meus cabelos sem os fios brancos. Não sinto saudade nenhuma das minhas mãos sem a pele enrugada pelo tempo. Sinto saudade do abstrato. Do que não tem nem mesmo nome. Do que não fazia sentido algum para ninguém, mas fazia para mim. Sinto saudade do tempo em que acreditava que todas pessoas falavam a verdade sempre. Sinto saudade da honestidade das pessoas. Sinto saudade do tempo em que “dar sua palavra”, valia mais que um documento registrado em cartório. Sinto saudade de conviver com pessoas íntegras e transparentes. Sinto saudade da sinceridade. Sinto saudade do tempo que a fé não era um comercio. Sinto saudade de muita coisa. Mas, pensando bem, o que eu mais desejo é que daqui há alguns anos, eu tenha mais uma lista infinita de coisas para listar. Porque só se sente saudade do que foi bom. Sentir saudade reforça a certeza que a vida não está passando em branco. A saudade é a prova concreta que a felicidade existe e que ela não cabe em um espaço de tempo. Ela não pode ser medida. Ela é abstrata e fugaz. Sentir saudade é ter a certeza que você está vivo e que sabe que a vida é para ser vivida. Que momentos são para ser guardados em uma caixinha chamada memória, para que de vez em quando, a lembrança faça cosquinha no coração e te arranque, um sorriso, um suspiro ou até mesmo, uma lágrima. Só se sente saudade do que se viveu. E eu vivo. Então, salve as minhas saudades.

Sheila Guedes

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