quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Tristeza invisível.


Oi gente!

Texto para reflexão.
Hoje vou abordar um assunto polêmico e triste, 
mas que precisa ser discutido: a depressão.
 Mal do século que acomete crianças, jovens, adultos e idosos.
Difícil de superar, mas não impossível. ;)
Espero que curtam!





Tristeza invisível.


Certa vez, conheci uma mulher linda que chamava atenção por onde passava. Seu sorriso era tímido, seus traços marcados por uma beleza elegante, despertava nas pessoas ao seu redor uma imediata admiração. Madura e independente ela sempre se destacava por onde passava.
Sua alma era linda também. Era gentil no falar e a humildade era uma marca importante da sua personalidade. A bondade nos seus gestos fazia com que todos a admirasse. Não era nada esfuziante ou chamativo, as pessoas a admiravam em um silêncio respeitoso que só a almas boas conseguem ter.
Mas, na quietude das suas noites, ninguém era testemunha dos gritos silenciosos da sua alma bela. A tristeza, por uma razão inexplicável fez morada no seu coração.
Quem observasse mais de perto, perceberia que no seu belo semblante havia uma tristeza quase invisível. Quase.
Em um dia comum, ela deixou escapar um soluço contido. As lágrimas por fim transbordaram dos seus olhos sem aviso ou motivo aparente e finalmente aquele mostro que a engolia de dentro pra fora veio à tona. A mulher o continha a duras penas em público, mas perdia a batalha quando estava só.
Quem olhasse distraído a mulher gentil e bela não perceberia a tristeza invisível  que ela carregava dentro de si.
Até o dia que ela abriu a janela dos seus olhos e deixou a luz do sol entrar.  E na luz forte da manhã, pouco a pouco ela conseguiu vencer a batalha mais silenciosa que já travou na vida. Ela começou a ver que a força do amor das pessoas que a rodeavam, poderia servir de alavanca para ela escapar da escuridão da sua alma. O amor e a fé a libertaram pouco a pouco. Um passo de cada vez. Um sorriso. Um pensamento positivo. Um recomeço. Uma superação.
A tristeza,  sua velha conhecida, foi expulsa do seu coração, e agora o sol brilhava forte dentro de si. Seu sorriso voltou a ser sincero e seus olhos agora mostravam sua alma novamente. A janela para a vida foi aberta. E ela agora sorria com os olhos.
De vez em quando, o monstro da tristeza ainda ronda ...ronda... ronda...tentando fazer novamente morada dentro da alma bela, mas agora a dona da alma - a mulher linda e doce - sabe que enquanto o sol brilhar dentro de si, não haverá espaço para sombras ou escuridão. Pois com o sol vem a esperança, e enquanto houver esperança, há  vida.  E onde há vida, a escuridão não permanece.

Sheila Guedes 




                   E para fechar, vou deixar  uma ótima crônica da Martha Medeiros.

                                                  A Alegria na Tristeza

O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.

Martha Medeiros



Bacana, né?

Por hoje é só! rs

Um beijo em todos e obrigada pela visita!

Sheila Guedes

4 comentários:

  1. Amei seu texto, achei muito sensível. A crônica de Marta, como sempre, um tapa na cara de todos nós e a referência ao Mário Benedetti, me fez ganhar o dia. Continue sempre assim. Bjos. Monya

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  2. Amei o texto,amo ler tudo que vc posta,continue,bjs.

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