domingo, 14 de agosto de 2016

Pais & Filhos: Uma relação especial.

Oi gente!
Tudo bom com vocês?! 
Espero que sim.
 Vamos falar do Dia dos Pais?! 



Hoje é um dia bem especial, é o Dia dos Pais. O dia que filhos dedicam um tempo para escolher um presente,  fazer o almoço, escrever um cartão, separar um foto legal para postar no Facebook, ou simplesmente fechar os olhos em oração e sentir saudade.
Dia dos Pais. Os pais que hoje (a grande maioria) assumem um papel fundamental na educação dos filhos. Os pais que não se contentam - graças à Deus - a pagar as contas da casa. Querem fazer parte dela. Da casa. Da vida. Dos filhos.
Lembro que quando eu era criança, sempre desejei que meu pai fosse um super herói. Que ele pudesse interromper seu dia de trabalho e me levar para um sobrevoo pela vida. 
Os pais de hoje fazem isso. Levam seus filhos ao parque, ao cinema, buscam numa balada ou no colégio. Os pais de hoje trocam fraldas, fazem mamadeiras e não se incomodam de ninar seus filhos enquanto a mamãe descansa. Os pais de hoje põe a roupa na máquina e  não se intimidam em conversar com um professor quando são chamados na escola. Os pais de hoje se esmeram  em ser pais.
Os pais de hoje leem para seus filhos.  
Jogam games com seus filhos. 
Brincam de boneca e tomam chá imaginários.
Os pais de hoje, respondem a perguntas sem nexo.
Os pais de hoje olham nos olhos e pedem desculpas quando pisam na bola.
Eu não tive uma relação assim com meu pai, mas meus filhos tem uma relação assim com o pai deles. Tenho muito orgulho de ter escolhido um marido que tornou-se um super pai. O melhor que os meus filhos poderiam ter.
Mas sabe o tempo? Esse que dá voltas e que nos permite reescrever nossa história e reconstruir nossas lembranças? Pois bem, o Sr. Tempo me deu uma nova chance. A mim e ao meu pai. Hoje em dia conversamos, brincamos, sorrimos. Hoje cozinho pra ele quando posso e ouço suas histórias quando ele as conta. Hoje ele presta atenção quando falo com ele e eu retribuo na mesma moeda.
Hoje somos amigos. E como é bom a sensação de saber que ganhamos uma nova chance da vida. Hoje aos 44 anos meu pai se tornou aquele super herói da minha infância.
Eu o amo. Sempre amei. Mas hoje esse amor é um amor cúmplice. Um amor correspondido onde ambos se respeitam. 
Como iguais.
 E é com essa sensação de felicidade compartilhada, que deixo aqui  partes de um texto belíssimo do poeta e cronista  Fabrício Carpinejar que está no ótimo livro Felicidade Incurável para homenagear todos os pais que dedicam parte do seu tempo aos seus filhos.
Leiam, vale à pena. Seja você pai ou mãe.



                                               Porque parei de ler livros para meus filhos?

 Eu cheguei cansado do trabalho, preparei o jantar e chamei meu filho adolescente para perto.
_ Vem me ouvir! Comprei um romance bem bacana, deixa ler os primeiros capítulos?
 Ele não negou, talvez pelo tom despretensioso do convite, assim como quem mostra um vídeo engraçado no YouTube.
Sentou no sofá ao meu lado. O rosto arregalado com o imprevisto. Nem eu compreendi o que passou pela minha cabeça, quis ler para o Vicente, apesar dos seus 12 anos e de outros interesses.
 Ficamos quarenta minutos juntos. Eu virando as páginas com a minha voz, ele interessado com que iria acontecer no enredo.
 Assim que terminei parte da trama falei:
_ Por hoje é só, amanhã continuamos.
 Fiquei emocionado ao dar boa-noite. O timbre embargou, o nariz trancou, a garganta encolheu numa pontada de secura.
 Despistei. Mas somei todas as paternidades de repente em meu sangue, reuni minhas paternidades, teci  um inventário de meu passado cuidador.
Voltei a ser o pai de antes, o pai de seus primeiros anos [...] o pai que levantava o cobertor até o pescoço e secretamente oferecia um beijo na testa.
 Ele voltou a ser meu menino [...] o menino que fazia perguntas incríveis e curiosas ( que me intrigavam: onde ele aprendeu isso?) [...] o menino que me encarava, fixo, espectador de meus lábios, com uma admiração de teatro de fantoches.
E me bateu um arrependimento: Porque parei de ler livros para os meus filhos? Somente porque cresceram e não eram mais crianças? [...]
Ler para meu filho, em qualquer idade, é protegê-lo. [...] Ele saberá que estou próximo, que pode adormecer e eu seguirei cuidando da casa, que alguém vigia seus sonhos, que acordará daqui a algumas horas e verá que nada mudou com sua breve ausência. [...]
Que ele sempre escute a voz paterna descrevendo o mundo.
A voz que ele se acostumou a ouvir quando pequeno e que ajudou a formar, de algum jeito, sua alma.
Carpinjar, Felicidade Incurável, Pág 143.



Lindo não?
Lá vai um conselho...rs
Seja lendo, observando, conversando ou compartilhando o silêncio, desejo que os pais, mães e cuidadores em geral nunca silencie. Deixe seu filho (a) ouvir SEMPRE sua voz.

Um beijo enorme e até a próxima.

Sheila Guedes



5 comentários: