segunda-feira, 29 de junho de 2015

Letras: Prisão sem muros

Oi gente!

Sei que fiquei de postar um texto sobre literatura nacional e indicar alguns livros, mas tem um texto meu querendo escapar por entre os meus dedos.
Senti vontade de postar.
Espero que curtam.




Eu vivo em uma prisão sem muros.
Aprisionada por um estereotipo que pouco ou nada tem a ver com quem sou de verdade.
Ninguém percebe.
Sou mestre em disfarces, cara e bocas.
Não sei direito como vim parar aqui.
Estou perdida há muito tempo dentro de alguém que definitivamente não sou eu.
E agora, tenho pavor de sair.
Tenho medo que não me reconheçam ou que não aceitem a estranha que sou.
Sim, sou uma covarde.
Tenho medo.
Medo de perder algo que nem sei se quero, mas que me rende alguns sorrisos furtivos no decorrer dos meus dias, meses e anos.
Sim, sou uma covarde.
Tenho medo de me olhar no espelho.
Por isso, não o faço com frequência.
A estranha que mora no meu intimo insiste em me encarar do outro lado, me desafiando a deixa-la sair.
Mas sou uma covarde.
Minha prisão foi por escolha.
Não tem sentido querer fugir de algo que busquei.
Ou tem?
Felicidade é algo inalcançável para alguém como eu.
Contento-me com momentos fugazes, onde o riso escapa pelas grades em momentos que quase ninguém vê, pois geralmente estou só.
Meus prazeres são solitários.
Sem testemunhas.     
Sou alguém que tem uma fome que não pode ser saciada.
A fome da vida que não vivi.
A fome do amor que não senti.
A solidão é minha companhia mais constante.
O silêncio a testemunha de quem realmente sou.
Sou silêncio.
Sou medo.
Sou eu.

 (Sheila Guedes)


Obrigada pela visita ;)

Beijo em todos!

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