quarta-feira, 29 de abril de 2015

Letras: Solidão a dois

Bom dia, pessoal!

Deixo um texto curtinho para reflexão de um mal que acomete 
muitos casais atualmente: a solidão a dois.
Tenho muita sorte por nunca me sentir só. 
Mesmo quando estamos em silêncio, estamos juntos.
Infelizmente é cada vez mais comum o distanciamento
entre as pessoas, e não me refiro apenas aos casais.
Costumo dizer, que lentamente o homem está
retornando para a caverna.
É tão confortável estar só, que não se percebe a alegria que a companhia do outro
pode proporcionar.

É isso, um texto curtinho para reflexão.

Solidão a dois 

Sentada em dos meus restaurantes preferidos, chamo o garçom e faço o pedido: picanha malpassada, arroz, salada e Coca-Cola com gelo e limão.
Enquanto aguardo, começo quase sem perceber a fazer uma das coisas que mais faço ultimamente.
Observo pessoas.
Não sei bem quando este hábito virou vício, mais sempre que fico com a mente desocupada, começo a observar pessoas, não apenas olhar pessoas, e sim observar e fazer conjecturas sobre suas vidas.
Sentados na mesa ao lado está um casal. Aparência bem cuidada, roupas de grife, maquiagem e cabelos impecáveis, apesar de jovens parecem estar profundamente entediados um com o outro.
Não conversam, nem trocam olhares de carinho. E mal se tocam....
Fico pensando no sentido da palavra solidão...
Quando pensamos em pessoas solitárias, automaticamente visualizamos uma pessoa só, sem companhia.
 Bem, cada dia me convenço que existem tipos de solidão muito mais tristes do que o simples fato de não ter alguém para conversar, é a solidão dos casais.
Casais apaixonados que se distanciam milímetros a milímetros,  dia a dia sem perceber, e quando a rotina massacrante  é percebida o abismo já se formou entre eles.
Solução para  este distanciamento?
Um pouco de acrobacia, ginástica dos sentidos e muito bom humor.
Eu garanto, não há rotina que resista a este tratamento de choque.
O almoço chegou, com  licença vou almoçar.

(Sheila Guedes)


Um poema lindo com o desejo de uma ótima tarde.

Não Basta

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma. 
Há só cada um de nós, como uma cave.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas. 
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, 
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; 
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

(Alberto Caeiro)

Obrigada pela visita.

Beijo em todos!
Sheila Guedes